Bate-papo com Flavia Calina: livro, infertilidade, amamentação e mais

Ao vivo no Facebook do Minha Vida, a influenciadora digital falou abertamente sobre alguns dos principais desafios da maternidade

POR AMANDA CRUZ - PUBLICADO EM 14/06/2017

flavia calina e família - Foto: Instagram
Flavia Calina junto com o filho Henrique, de 8 meses, o marido Ricardo e a filha Victória, de 3 anos

Mãe da Victória, de 3 anos, e do Henrique, de 8 meses, Flavia Calina é a maior influenciadora de maternidade que existe atualmente, com mais de 3,6 milhões de seguidores em seu canal. Ela participou de um live no Facebook do Minha Vida para falar sobre maternidade e sobre seu livro Agora que sou Mãe, lançado recentemente pela Editora Planeta.

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Quem assiste aos vídeos da Flavia no Youtube e lê o seu livro acha que ela sempre falou sobre maternidade, mas não é bem assim. Suas primeiras postagens foram sobre maquiagem.

O que acontece é que na época Flavia estava com vontade de criar um canal e, como havia aprendido alguns truques sobre o assunto no Youtube, decidiu fazer algo parecido. No entanto, essa não era a grande vontade de Flavia. Isso porque seu grande desejo sempre foi o de ter um canal sobre educação infantil.

"Eu tinha medo de receber julgamento por ainda não ter filhos. Então, eu não falava sobre isso. Depois, comecei a mostrar um pouco da minha vida nos Estados Unidos e, quando engravidei, eu pensei 'é agora, vou colocar tudo em prática'".

A partir de então, o canal de Flavia foi crescendo cada vez mais e ela foi conquistando fãs pelo Brasil todo. A seguir você pode conferir tudo que rolou na live que ela fez com o Minha Vida.

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Infertilidade

Um dos maiores sonhos de Flavia era engravidar e, após meses de tentativas, foi descoberto que a dificuldade estava nos espermatozoides de seu marido. Se passaram, no total, 7 anos até que veio a gravidez de Victoria, por uma fertilização in vitro. "Quando a gente compartilha a nossa história, vemos quantas pessoas passam pelo mesmo problema. Sentimos vergonha, meu esposo Ricardo se sentia mal, porque não podia me dar o meu sonho", disse.

Ela disse que a experiência é muito dolorosa, "mas é preciso ter paciência, se apoiar nas pessoas que ama e, quando estiver pronta, compartilhe com alguém que você confia", disse

"Se achar que está sozinha, o sofrimento é triplicado. O que me ajudou demais, que compartilhei no meu canal, foi ter o diário de gratidão e focar nas coisas que eu tinha e não no que eu não tinha, que era a gravidez. Chega uma hora que parece que o seu mundo fica em volta só do seu problema", contou.

Parto normal

Apesar do medo, Flavia decidiu optar pelo parto normal. "Quando pensava no parto, já tinha feito tanta coisa artificial, então eu dizia que queria sentir, ter a surpresa de não saber quando vai acontecer. Porque não tive aquela coisa da pessoa descobrir por acaso que está grávida. Pesquisei sobre isso, porque também tinha medo. É algo que nunca tinha feito, precisava entender o que estava por vir. Assisti muitos partos no Youtube, não estava segura para um parto domiciliar, precisava do apoio dos médicos para não correr tantos riscos. Descobri o plano de parto, que poderia escolher algumas coisas. O hospital me deu um papel com as perguntas para eu colocar o que queria e isso abriu um novo mundo para mim. Foi essencial para me dar segurança", relatou a influenciadora.

O plano de parto é uma lista que alguns hospitais oferecem, onde a mãe coloca tudo o que gostaria ou não que acontecesse em todo o processo do nascimento do bebê, envolvendo o trabalho de parto, o pós-parto, os cuidados com o bebê, a possibilidade da cesárea e tudo o mais que for necessário e importante para a mãe e a criança.


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Amamentação

O momento de amamentação pode ser muito difícil para uma mãe de primeira viagem. Com Flavia, não foi diferente. Ela disse que Victoria mamava por uma hora direto e doía muito.

"Eu sabia da dor, já tinha ouvido falar, mas pensava que devia ser por uma semana para adaptar, mas doeu por seis meses e eu acostumei com a dor. Diziam que podia ser o freio labial, mas meus médicos diziam que não. Especialistas em amamentação ajudavam, o Ricardo me ajudou bastante, ele via de fora a posição do bebê e me orientava. Já ele (Henrique), mama rapidinho e não está doendo. Tive mastite, aquela sensação de gripe forte, meu seio todo vermelho, quente. Liguei para o médico, só queria dormir, deitar e nem sempre dava. Não precisei de antibiótico, mas achei que não ia aguentar", relembrou Flavia, ao contar sobre a amamentação de seus dois filhos.

Método Montessori

Educadora de formação, Flavia trabalhou como professora em uma escola montessoriana. A experiência fez com que ela se interessasse pelo método e decidisse aplicá-lo na educação de seus filhos.

"Mais do que ouvir a gente falar, as crianças estão observando. Ensinamos mais com nossa ação do que com a fala. A linha Montessori fala sobre o ambiente trabalhar para a criança, onde ela pode tocar em tudo. Na casa nem sempre isso é possível, mas o quarto é o espaço do 'sim', você pode tocar o seu espaço para explorar, dar o tempo de a criança sentir as texturas. É essa a ideia do quarto Montessoriano, ser um espaço para a criança, por mais que a gente queira deixar tudo lindo", brinca ela.

Linguagem de sinais com os filhos

Flavia contou que teve o primeiro contato com a linguagem de sinais com bebês em um curso técnico em educação infantil que fez nos Estados Unidos, quando já trabalhava em uma escola de lá. "Eu pensava 'como assim um bebe vai fazer sinais?'. Então, fui no Youtube e vi vários vídeos. Como tinha uma aluna minha que ficava em período integral, pude ser consistente nos cuidados", disse Flavia. Então, após o trabalho ensinando os sinais, a bebê aprendeu e depois foi a hora de ensinar a mãe também. Não teve quem não ficasse encantado com a técnica.

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"Hoje, mostro com sinal se ele quer mamar e o Henrique já está repetindo o sinal. São palavras-chave que a criança não consegue falar e precisa chorar para se comunicar. É outro mundo, vale a pena assistir um vídeo que a Victoria faz vários sinais, os principais que a gente escolheu. Você também pode criar o seu sinal, o objetivo é se comunicar. É fascinante", explicou.

Birra da criança

Em relação à birra, Flavia acredita que esse tipo de comportamento é normal entre entre as crianças. "As maternidades deveriam dar um curso explicando que a birra não faz com que a criança seja ruim e faz parte do desenvolvimento", diz Flavia. Ela comenta que as crianças ainda não têm essa noção de como se controlar e até onde podem ir. "Falo para Victoria: 'Se você não consegue controlar o seu corpo, eu vou te ajudar'. Esses dias ela me falou: 'Mamãe, eu não consigo me controlar', e o fato de ela verbalizar isso para mim é fenomenal. É empatia, se colocar no lugar da criança e do bebê, imagina que é um mundo desconhecido, que ela está aprendendo as regras ainda, então ela vai testar", explica.

"Dê nome aos sentimentos, porque o choro parece algo errado. Poxa, estou sentindo, estou nervoso, estou frustrado, o que eu faço? Então, dê as ferramentas para a criança, o que ela pode fazer quando está brava. Ela não pode fazer nada, tem que ficar quieta e engolir o choro?", conta. Flavia diz que é preciso encontrar um espaço apropriado para a criança extravasar, se jogar no chão e, depois disso, vem a hora da conversa.

"Às vezes tem algum conflito, aí a Victoria estoura, eu fico esperando, ela vê e fala: 'mamãe, vamos conversar?', e eu falo o que pode ou não fazer. Aí você percebe a capacidade deles de entendimento. A gente é o capitão, tem que liderar e é um desafio, mas ninguém nasce sabendo", diz.

Ciúmes entre os filhos

A influenciadora conta que passou por esse problema com a chegada do seu segundo filho, Henrique. "Tem que conversar, deixar claro, separar os momentos entre eles. Para a Vi, tentei separar momentos para ficar com ela. Aconteceu de o Ricardo levar e buscar ela na escola todo dia, ela se distanciou, ficou ressentida, não me pedia mais. Então comecei a levar ela para almoçar, buscar na escola, separei a hora do banho, levava para tomar um sorvete. São pequenos detalhes que a criança se sente amada e percebe que estou vendo ela. Quando o Henrique olhava para ela, eu mostrava e dizia: 'Olha como ele te ama, filha', para aproximar os dois", relata Flavia.

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